Um Caso Sobre Brahma, Vishnu e Shiva

Na índia, há um conto popular sobre Brahma, Vishnu e Shiva.

Estavam os 3 jactando-se de seus tremendos poderes. De súbito, um menino apareçeu e disse a Brahma: “O que você cria?” “Tudo” respondeu Brahma, majestosamente. A criança perguntou aos outros 2 Deuses qual a função deles. “Nós preservamos e destruimos tudo”, eles responderam.

O pequeno visitante segurava na mão um fiapo de palha, quase do tamanho de um palito de dentes. Colocando-se diante de Brahma, ele perguntou: ” você pode criar uma hastezinha de palha igual a está?” Após um prodigioso esforço, Brahma descobriu, para sua surpresa, que não podia. O garoto voltou-se, então para Vishnu e pediu-lhe que preservasse a palha, que lentamente começava a desfazer sob o olhar fixo dos menino. Os esforços de vishnu para mantê-la íntegra foram infrutíferos. Finalmente, o pequeno desconhecido reproduziu o fiapo de palha e pediu a shiva que o destruísse.

Por mais que shiva tentasse aniquilá-lo, porém, o fragmento de palha permaneceu intacto.

O menino voltou-se de novo para brahma: ” você me criou?” perguntou ele. Brahma pensou e pensou; não podia recordar-se de haver criado aquele menino extraordinário. De repente, o garoto desapareçeu. Os três Deuses despertaram de sua ilusão e se lembraram de que por trás do poder deles, havia um Poder Maior.

Paramahamsa Yogananda (livro – A eterna busca de um homem).

A Lealdade é a lei espiritual mais elevada

“Quero contar uma história para vocês. Este é outro aspecto da lealdade, ou uma recompensa da lealdade, talvez.

Aconteceu quatro dias antes do mahasamadhi do Mestre, quando um novo monge entrou no ashram e se tornou mais tarde o Bro. Mokshananda, muitos de vocês sabem, o conheceram. Eu não me recordo se foi logo no primeiro dia quando esteve aqui, ou se foi no segundo. O Mestre estava saindo, o Mokshananda estava trabalhando comigo e eu disse: ‘O Mestre está saindo. Vamos!’

Essa foi a primeira vez que ele o viu. O Mestre estava na porta lateral do prédio. O seu carro estava pronto. Ele estava ali de pé, conversando com alguns monges. Eu apresentei o Mokshananda ao Mestre e ele humildemente ajoelhou-se diante dele. O Mestre tomou o seu sobretudo e o seu chapéu, olhou para Mokshananda e com um sorriso muito doce disse: ‘A lealdade é a mais elevada lei.’ E geralmente quando o Mestre dizia algo assim era sob a forma de lição, lembrete ou possivelmente um aviso. Mas não dessa vez. Dessa vez, foi uma expressão de louvor. Eu sabia que era um momento muito, muito comovente! Eu sabia que o Mestre estava cumprimentando um discípulo conhecido do passado que havia sido leal!

Cerca de trinta anos mais tarde, Mokshananda teve uma doença fatal e então fez a sua passagem. Depois que ele deixou o corpo, fui para o seu quarto para prestar os meus últimos votos de respeito. Logo ao lado da sua cama havia uma grande imagem do Mestre. Eu olhei para aquela imagem e parecia haver um sorriso muito doce no rosto do Mestre, como se quisesse assegurar-me: ele está bem, ele está comigo! E vocês sabem, o Mestre muitas vezes disse que ‘se um devoto for fiel até o fim, quando ele fizer a sua passagem, eu vou estar lá.’

Essa vida é curta! Essa vida é muito curta! A maioria de vocês são jovens, vocês não sabem ainda, mas chega o momento em que temos que deixar este corpo, que temos que deixar esta terra e ir para o outro lado. E, em seguida, um novo cenário emerge, quando o Guru está lá e o recebe de braços abertos, então nada mais importa, nada mais importa! É a recompensa, mais uma recompensa da lealdade até o fim.”

Tradução informal de trechos do CD “Loyalty, the highest spiritual law. An Informal talk by Brother Anandamoy”, disponível na bookstore da SRF.

Trecho do cd “Inner Peace: Divine Antidote for Stress, Worry, and Fear

“Lembro-me de estar no escritório de Daya Mata há alguns anos e eu estava presenciando uma tristeza pessoal, um fardo que ela carregou silenciosamente como presidente por toda a organização. Isso partiu o meu coração. Por consideração, eu disse a Ma (ela estava sentada em sua mesa e eu estava sentado em uma cadeira a sua frente): ‘Ma, eu sinto muito que você tenha que suportar esse tipo de fardo nesta maravilhosa fase de sua vida’. E a consideração era real, mas a sua resposta foi inesperada.

Ela olhou para mim com um longo olhar que eu só posso descrever como Puro Poder, Puro Poder! Ela só olhou para mim pelo que me pareceu um longo período de tempo e então disse: ‘Você não precisa se preocupar comigo, meu querido. Eu resolvi muito cedo em meu discipulado que não permitiria que nada ficasse entre mim e o meu Deus!’

E não foram apenas as palavras que ela falou, foi a determinação em sua voz. Nada deveria ficar entre ela e o seu Deus. E por isso ela não estava se referindo aos obstáculos externos, porque sempre há obstáculos externos, eles estão sempre lá. Maya está sempre tramando algo que temos que enfrentar e superar. O que ela estava se referindo era aos obstáculos internos do ego: dor, ansiedade, preocupação, medo, arrependimento, demérito, a lista é longa, mas ela tinha e tem uma invencível postura Kshatriya. Nada disto teria qualquer importância em sua vida pela simples razão que isto representaria um obstáculo entre ela e Deus. Portanto, não poderia existir em sua vida, pura e simplesmente, intransigente, absoluta.

E assim, por trás de sorrisos e de um olhar sério, há este Sorriso Divino de uma alma que se sagrou vitoriosa sobre o ego, que transformou o ego, de adversário, a um servo e amigo leal. Este é o poder que você sentia nela. Ela alcançou isso em sua vida. Este é o propósito de nossa encarnação! Queremos alcançar 100% de lealdade à nossa alma. O ego não deve receber nada, nenhum reforço. O mandamento de entrega à alma é absoluto. Só então poderá haver amizade em termos de alma. Só então você poderá ter um ego assertivo.”

Swami Satyananda no CD “Inner Peace: Divine Antidote for Stress, Worry, and Fear”, Self-Realization Magazine, Inverno de 2008.

Nova sede do Grupo de Meditação da SRF da Vila Madalena

É com satisfação que informamos a devotos e amigos da SRF que o Grupo de Meditação Vila Madalena estará de casa nova a partir de 1º de outubro de 2017 (domingo). Mesma data da Cerimônia de Flores pelo nascimento do Mestre Lahiri Mahasaya, com serviço de meditação iniciando às 10h.

A nova sede fica no mesmo bairro, em lugar aprazível e silencioso, muito mais apropriado aos nossos serviços. As excelentes acomodações com certeza proporcionarão mais qualidade para meditarmos.

Novo endereço: Madre Maria Angélica Rezende, 31
Vila Madalena.

Jai Guru!

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Awake – A Vida de Yogananda – Entrevista com as diretoras

O filme “Awake – A Vida de Yogananda” chega ao Brasil depois de grande sucesso nos Estados Unidos, onde obteve vários prêmios. O documentário narra a trajetória deste importante mestre iogue indiano que veio ao Ocidente com a missão de difundir a ciência da meditação iogue.

Para assegurar a originalidade de seus ensinamentos, Yogananda fundou, em 1920, a Self-Realization Fellowship, que conta com monges que até hoje divulgam e dão suporte à sua obra por meio de livros e lições – que podem ser solicitadas por correspondência para o exercício da meditação em casa. Veja aqui o depoimento das diretoras do filme, onde contam a trajetória dessa grande experiência que foi fazer o documentário da vida de um dos maiores mestres espirituais contemporâneos.

 

 

DEPOIMENTOS DAS DIRETORAS

Paola di Florio: “Vocês deveriam saber que eu tenho um problema com a palavra Deus”, foi uma das primeiras coisas que saiu da minha boca em uma visita inicial à organização de Yogananda, Self-Realization Fellowship. Eu estava sentada com o meu marido/produtor Peter Rader e com a co-diretora, Lisa Leeman, me dirigindo para uma equipe que incluía monges experientes, que devotaram mais de quatro décadas no ashram, renunciando a desejos mundanos na busca pelo Divino, e eles não ficaram nem um pouco incomodados. Mais do que um mero alívio, eu fiquei intrigada. Mais tarde, descobri que os ensinamentos de Yogananda não tem como premissa uma fé, ou mesmo uma crença em Deus. A Yoga é considerada uma ciência na Índia. “Deus” não tem fronteiras, é pura consciência –“Satchitananda”, o que o indivíduo experiência na meditação. Não está fora, mas sim dentro e ao redor de todos nós. Basta estar aberto e ser disciplinado o suficiente para se engajar na prática, usando o próprio corpo como um laboratório vivo. Eu fiquei fascinada com essa abordagem. Eu não só estava curiosa para pesquisar isso em mim mesma, mas vi quão brilhante e oportuno pode ser um caminho ecumênico para a transcendência, em um mundo onde estamos matando uns aos outros por conta de crenças dogmáticas. Um filme como oAWAKE, de repente, me pareceu urgente. Eu fiquei interessada em encontrar significado, numa organização em que a ciência e a espiritualidade convergem.

Eu sou testemunha dos efeitos transformadores deste caminho pela prática da hatha-yoga, que eu comecei a praticar quando tinha 20 anos. Realizando as asanas, eu percebi meu sistema nervoso “reiniciando” e o meu coração se abrindo, o que naturalmente me incentivou a querer ir mais profundo, aprender a meditar. Inicialmente, eu comecei com uma prática budista chamada Vipassana, mas enquanto estava trabalhando no AWAKE, eu me comprometi a meditar diariamente. Inicialmente isso fazia parte da minha “pesquisa”, ou era o que eu dizia para mim mesma. Mas o que ocorreu comigo foi, nada menos, do que uma transformação total. Em essência, a beleza da Yoga é que ela te encontra onde você está. Isso pode acontecer tanto a nível individual quanto coletivamente, a nível de sociedade.

Quando Yogananda chegou nos Estados Unidos, em 1920, a recém-criada Física Quântica nos dizia que a matéria era ilusória – algo muito similar à noção de “Maya”, dos ensinamentos Védicos da Índia. Parecia que a ciência moderna estava finalmente alcançando o conhecimento dos iogues da Índia. E isso não poderia ter esperado nem mais um minuto. Dado o potencial destrutivo da Era Atômica, Yogananda percebeu que havia chegado a hora das grandes massas adotarem esses ensinamentos de fraternidade e compreensão… pois todos nós emergimos de um mesmo oceano de consciência. Quanto mais eu lia os ensinamentos de Yogananda, mais eu sabia que precisava fazer esse filme. E, ao fazê-lo, as fronteiras entre ciência e espiritualidade começaram a se confundir.

 

Lisa Leeman: Em 1984, um namorado me deu um exemplar da Autobiografia de um Iogue, dizendo: “você é muito lógica Lisa… leia isto! ”. Ele estava certo – o livro explodiu a minha mente racional. Eu não sabia o que fazer com as histórias de Yogananda sobre iogues levitando, do seu Guru estar em dois lugares ao mesmo tempo, ou de Yogananda prevendo o futuro… e, nem nos meus sonhos mais loucos, eu poderia me imaginar fazendo um filme sobre esse autor!

Eu sempre fui uma buscadora – na faculdade, eu devorei os livros de Alan Watts e clássicos do Zen (sem saber que o mestre de Budismo Tibetano Chogyan Trungpa estava a apenas 45 minutos, em Boulder, ou que décadas mais tarde eu produziria um documentário sobre ele). Eu comecei a praticar hatha-yoga e meditação, e comecei a fazer filmes documentários. Uma coisa levou a outra e, quando percebi, estava na Índia, como cineasta, em um filme sobre iogues ascetas. Alguns anos depois, quando Paola me convidou para co-dirigir esse filme com ela, eu fiquei intrigada a explorar mais profundamente como a biografia de um mestre de meditação poderia transmitir ensinamentos orientais de maneira visceral e cinemática, alcançando mais do que o intelecto, para criar um filme de experiência, para ser mais do que uma biografia.

Foi um desafio realizar esse filme, tanto cinematograficamente quando pessoalmente. Ele me forçou a lidar com algumas das “grandes questões” da vida, as quais eu me esquivava há tempos. Ele alongou a minha noção de Yoga (trocadilho proposital), aprofundou a minha prática de meditação, me ensinou a ver além das formas externas e expandiu a minha compreensão da natureza da realidade. Eu ainda estou lutando com as histórias fantásticas… e eu comecei a aprender de que não há problema nisso. Como um dos monges disse no filme, enquanto estávamos em Calcutá:  “Com muita frequência, as pessoas procuram por ‘experiências espirituais’… quando o que realmente importa é cultivar a experiência do espírito”. Deixo para o público interpretar o que isso significa.

 

ENTREVISTA COM AS DIRETORAS PAOLA DI FLORIO & LISA LEEMAN

P: Como surgiu o filme?

Paola & Lisa: A organização criada por Yogananda, Self-Realization Fellowship, foi abordada durante décadas por pessoas que queriam fazer um filme sobre o Guru que trouxe a Yoga para o Ocidente. Por uma ou outra razão, o momento ainda não havia chegado. Em 2008, contudo, uma oportunidade se apresentou com um financiamento através de doadores anônimos. Os discípulos diretos de Yogananda estavam falecendo e parecia o momento correto de se fazer um filme. A SRF decidiu encontrar uma equipe de filmagem independente, para permitir que uma visão externa e mentes sem pré-conceitos contassem a história. Foi desejo da SRF fazer um filme para o mundo, e não apenas para os seus membros. Eles fizeram uma pesquisa extensa e nós fomos afortunadas de termos sido escolhidas para fazer o filme. É claro que, logo antes de sermos contratadas, nos olhamos e percebemos que tínhamos uma tarefa desafiadora à nossa frente. Não era apenas uma história épica, mas também uma história que nos desafiaria, como cineastas, a destilar esses antigos ensinamentos em um formato compreensível ao público externo à organização. Por sorte, nós não compreendemos o tamanho desta responsabilidade, pois teria sido muito intimidadora.

 

P: Qual foi o maior desafio que vocês tiveram para fazer esse filme?

Paola & Lisa: Houveram muitos desafios! Não é fácil fazer um filme sobre um santo. Nós somos contadoras de história, uma boa narrativa requer conflitos, dificuldades e um protagonista com imperfeições humanas. Nós buscamos os esqueletos no armário de Yogananda, e apesar de termos encontrado certas alegações provocativas, elas não tinham sustentação. Conforme nos aprofundamos em sua vida, contudo, nós descobrimos que ele enfrentou grandes obstáculos, muitos dos quais o público desconhecia.

Por ser a própria definição de “peixe fora d’água”, Yogananda, veio para a estranha terra da América, em 1920, para disseminar um antigo ensinamento que tinha paralelos com a Física de Einstein na época. Com certeza, esses ensinamentos de Yoga seriam vistos como ferramentas essenciais para os seres humanos sobreviverem à Era Atômica. Apesar de ser reconhecido com um “gênio espiritiual”, Yogananda sofreu severas críticas, e até racismo no Sul do país, por aqueles que se sentiam ameaçados por ele e por sua mensagem. Perseguição, traições por estudantes e amigos próximos, e até falência financeira se seguiu. Ele era continuamente testado. Mas Yogananda ascendeu como uma fênix através das cinzas de seus fracassos, não apenas para recobrar seu próprio propósito de vida, mas para inspirar outros a seguirem seu exemplo. Contudo, Yogananda algumas vezes quis fugir para ser um eremita em uma caverna dos Himalaias… que é a mesma sensação que tínhamos quando encontrávamos situações desafiadoras, tendo que esmiuçar centenas de arquivos e rolos de filmes, e estudar a volumosa obra de ensinamentos que Yogananda deixou para nós, destilando-os em algo compreensível (primeiro para nós, e depois para um público). Algumas vezes nós literalmente lutamos com isso. Demorou um pouco para digerir e internalizar esses conceitos, e a descobrir como transmiti-los de maneira cinematográfica.

Nós experimentamos criar estados internos de consciência através da metáfora audiovisual, pois era de extrema importância para nós que o filme fosse experiencial, não apenas informativo, e que nós convidássemos os espectadores para uma jornada de expansão de consciência e de possibilidades através do filme.

Decidimos que Yogananda contaria sua história com suas próprias palavras (ao invés de usar um narrador em terceira pessoa), em um esforço de criar mais intimidade. Isso significa que, além de usar algumas gravações da voz de Yogananda, nós tivemos o privilégio de contar com um ator proeminente, estrela de Bollywood, Anupam Kher, para ler suas palavras e, essencialmente, desempenhar este papel. Isso também ajudou a manter viva a sensação de realismo mágico que Yogananda criou ao escrever a Autobiografia de um Iogue, onde ele conta momentos íntimos de uma vida muito além do ambiente mundano. Nós também criamos momentos de tranquilidade, através dos quais os espectadores podem entrar e sair de “meditações cinematográficas”, propiciando a eles uma desassociação do intelecto e permitindo a experiência de apenas “ser”.

 

P: O que vocês acham que o público apreciará nesse filme?

Paola & Lisa: Nós esperamos que o filme coloque Yogananda no contexto de seu tempo, proporcionando uma maior compreensão da história da Yoga no Ocidente e o que a sua prática realmente significa. Mas, mais importante do que isso, nós queremos que o filme toque as pessoas no “ponto em que elas estão”, nas suas próprias jornadas espirituais individuais e, talvez, ajude a plantar uma semente que os leve ainda mais fundo. Nós queremos inspirar os espectadores a se tornarem “DESPERTOS” (AWAKE).

 

P: Que tipo de experiência vocês esperam trazer aos espectadores?

Paola & Lisa: Yogananda frequentemente usava o oceano como uma metáfora para a consciência, um conceito que as pessoas que passam muito tempo cercados por água, percebem intuitivamente. Nós usamos muitas imagens com água no filme. Yogananda compara o indivíduo às ondas do oceano, que tomam forma e então se unem de volta ao que nos une a todos, o oceano da consciência.

 

 

Leia  a resenha completa do filme: http://www.culturadapaz.com.br/awake/

 

CRÉDITOS DO FILME

Escrito e Dirigido por

PAOLA DI FLORIO

&

LISA LEEMAN

 

Produtores

PETER RADER

PAOLA DI FLORIO

LISA LEEMAN

 

Baseado nos livros e palestras de

PARAMAHANSA YOGANANDA

 

Diretor de Fotografia

ARLENE NELSON

 

Trilha sonora original

MICHAEL R. MOLLURA

VIVEK MADDALA

 

Fonte: Blog da Cultura da Paz

Um Jesus que você não conhece

Paramahansa Yogananda, grande mestre indiano da ciência da meditação científica iogue, recebeu de sua linhagem de gurus uma incumbência: vir ao Ocidente e ensinar sobre a unidade de conhecimento que havia entre Bhagavan Krishna e Jesus Cristo.

Procurando seguir os passos de seu Mestre, Swami Sri Yukteswar, Yogananda procurou entrar em contato com Cristo durante suas práticas de meditação profunda e beber de suas mesmas fontes, para ir além das interpretações comuns desse grande mestre, mostrando a sabedoria iogue a qual Jesus também tivera acesso nos anos em que esteve pela Índia.

Em toda obra de Yogananda, esse paralelo de comparação entre Krishna e Cristo se encontra presente, mas – em especial – em dois importantes livros: A Yoga de Jesus e A Segunda Vinda de Cristo. As mais importantes passagens dos evangelhos cristãos são explicadas, nessas obras, à luz da yoga. Separamos algumas delas para você, contidas no livro A Yoga de Jesus:

“E, abrindo a sua boca, os ensinava, dizendo: Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos céus.” (Mateus 5:2-3)

Enquanto ensinava, Jesus fez com que suas sagradas vibrações e divina força vital emanassem através de sua voz e de seus olhos, difundindo-se sobre os discípulos, tornando-os tranquilamente sintonizados e magnetizados, capazes de receber a plena medida de sua sabedoria por meio da compreensão intuitiva.

“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos” (Mateus 5:6)

As palavras “sede” e “fome” estabelecem uma metáfora apropriada para a busca espiritual do homem. Primeiro, precisamos ter sede pelo conhecimento teórico de como alcançar a salvação. Depois de saciada essa sede ao aprendermos a técnica prática para efetivamente entrar em contato com Deus, podemos então satisfazer a fome interior da Verdade, banqueteando-nos diariamente do divino maná da percepção espiritual resultante da meditação.

“Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia” (Mateus 5:7)

A misericórdia é uma espécie de angústia paternal diante das imperfeições de um filho que incidiu no erro. É uma qualidade intrínseca da Natureza Divina. A história da vida de Jesus está repleta de relatos de uma misericórdia divinamente manifestada em suas ações e personalidade. Nos sublimes filhos de Deus que alcançaram a perfeição, vemos revelado o oculto Pai transcendente assim como Ele é.

“Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra” (Mateus 5:5)

A humildade e a mansidão criam no homem uma receptividade ilimitada para conter a Verdade. Como diz o provérbio “pedra que rola não cria limo”, um indivíduo orgulhoso e irascível rola encosta abaixo a montanha da ignorância e não retém nenhum “limo” de sabedoria, enquanto as almas mansas, permanecendo em paz no vale da vívida boa vontade mental, acumulam as águas da sabedoria que flui de fontes humanas e divinas, para nutrir seu florescente vale de qualidades espirituais.

“Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus” (Mateus 5:9)

Os verdadeiros pacificadores são os que geram a paz em sua prática devocional da meditação diária. A paz é a primeira manifestação da res- posta de Deus na meditação. Aqueles que conhecem Deus como Paz no templo interior do silêncio e que lá reverenciam esse Deus de Paz são, por meio desse relacionamento de comunhão divina, Seus verdadeiros filhos.

“Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus” (Mateus 5:10)

A bem-aventurança de Deus visitará as almas que suportam com equanimidade, por fazerem o que é correto, a tortura da crítica injusta dos falsos amigos, e também dos inimigos, e que permanecem livres da influência dos maus costumes ou hábitos prejudiciais da sociedade. Um devoto íntegro não se curvará diante da pressão social para que beba, somente por estar numa reunião em que são servidos coquetéis, mesmo quando os demais zombem dele por não compartilhar de seu gosto. A retidão moral traz a zombaria de curto prazo mas o regozijo a longo prazo, pois a persistência no autocontrole produz bem-aventurança e perfeição. Um eterno reino de alegria celestial, a ser desfrutado nesta vida e além dela, é o que recebem aqueles que vivem e morrem conduzindo-se de acordo com o que é justo.

Pessoas mundanas que preferem as indulgências sensoriais ao contato com Deus são os verdadeiros tolos, porque ao ignorarem o que é correto – e portanto bom para elas – têm de colher as consequências. O devoto íntegro procura aquilo que é benéfico para ele no mais elevado sentido. Aquele que abandona os costumes levianos do mundo e suporta de bom grado o menosprezo que os amigos sem visão expressam por seu idealismo demonstra que está apto para a infindável bem-aventurança de Deus.

Leia mais

6 Dicas para Orientação Correta da Razão

Siga as instruções abaixo a fim de estimular a atividade mental e o raciocínio corretos:

1. Leia bons livros e assimile cuidadosamente a mensagem deles.

2. Se você lê durante uma hora, escreva durante duas e reflita durante três. Essa é a proporção que deve ser observada para se cultivar o poder do raciocínio.

3. Ocupe a mente com idéias inspiradoras. Não desperdice tempo com pensamentos negativos.

4. Adote, para sua vida, o melhor plano que puder formular por meio do exercício da razão.

5. Utilize as afirmações deste livro, pronunciadas com a força da alma, para desenvolver o poder da mente. Psicólogos antigos e modernos têm indicado que a inteligência inata do homem é capaz de expansão infinita.

6. Obedeça às leis físicas, sociais e morais. Acreditando em que elas são controladas por uma lei espiritual superior, você se colocará, com o tempo, acima de todas as leis inferiores e será completamente guiado pela lei espiritual.

Paramahansa Yogananda, Afirmações Científicas de Cura

Como Meditar Passo a Passo

Diminuição do estresse, capacidade de regular emoções, pensar com mais clareza, desenvolver maior empatia e compaixão pelas pessoas. Esses são alguns dos muitos benefícios da prática da meditação. Mas…Como meditar? Você deve estar aí se perguntando.Calma, vamos orientá-lo. Antes, temos de informar que a intensidade, bem como o tempo a que a pessoa destina para a prática da meditação, podem potencializar as sensações de bem-estar – que são diferentes para cada um.

Responda uma pergunta: quando você pensa em meditação, o que vem à sua mente? Se for a imagem de um santo, nos Himalaias, uma figura iluminada em postura de lótus, temos algo a te dizer: não é preciso ir até esta bela cordilheira – muito embora o passeio valha a pena. Não é preciso ser um Buda ou um Jesus para iniciar a sua prática. Paramahansa Yogananda, grande mestre indiano e pai da yoga no Ocidente, pode te auxiliar nos primeiros passos para essa empreitada.

Leia com atenção o texto abaixo e dê início a uma nova etapa na vida, mais saudável e feliz!

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Como meditar:

  • 1) Sentar-se corretamente

Sente-se numa cadeira de espaldar reto ou, se preferir, numa superfície firme, com as pernas cruzadas. Em qualquer dos casos, ponha por cima uma manta ou tecido de seda (o objetivo é isolar o corpo da atração magnética produzida pelas correntes sutis da terra). Manter a coluna vertebral reta, o abdome para dentro, o peito para fora, os ombros para trás e o queixo paralelo ao chão. As mãos ficam com as palmas viradas para cima e devem estar apoiadas nas pernas, onde a coxa se une à região abdominal, para evitar que o corpo se incline para diante. A cadeira de meditação deve ter uma altura cômoda; do contrário há a tendência de inclinar o torso para a frente ou para trás.

Na postura correta, o corpo está ao mesmo tempo firme e relaxado e é fácil permanecer completamente tranquilo e imóvel.

Depois, fechar os olhos e elevar suavemente o olhar sem forçar, dirigindo-o para o ponto entre as sobrancelhas, que é a sede do olho espiritual, o centro da percepção divina.

  • 2) Oração inicial

Depois de ficar na postura de meditação, ofereça a Deus uma prece do coração, expressando sua devoção por Ele e pedindo que abençoe sua meditação.

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  • 3) Tensionar e relaxar para eliminar o estresse

Inspire, tensionando o corpo completamente e fechando os punhos.

Expulse fortemente o ar pela boca com uma expiração dupla, fazendo o som “ha haaa”, e ao mesmo tempo relaxe todo o corpo.

Repita este exercício 3 a 6 vezes.

Depois esqueça a respiração, deixando-a fluir para dentro ou para fora de modo natural e espontâneo, como na respiração normal.

  • 4) Concentrar a atenção no olho espiritual

Com as pálpebras meio fechadas (ou completamente fechadas, se for mais cômodo), dirija o olhar para cima, focalizando-o, junto com a atenção, no ponto no meio das sobrancelhas, como se olhasse para fora através desse ponto. (A pessoa que se concentra profundamente costuma franzir as sobrancelhas.) Não é para cruzar nem forçar os olhos; ao relaxar e se concentrar com serenidade, o olhar se volta naturalmente para cima.

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Apenas ver o olho espiritual não é suficiente; o mais difícil para o devoto é penetrar essa luz. Mas, pela prática de métodos superiores, como a Kriya Yoga, a consciência é conduzida ao interior do olho espiritual, entrando em um outro mundo de dimensões mais vastas”. Paramahansa Yogananda, A Yoga de Jesus.

  • 5) Orar profundamente a Deus na linguagem de seu coração

Continue com a atenção no centro da Consciência Crística, isto é, no ponto entre as sobrancelhas, orando profundamente a Deus e aos Seus grandes santos. Invoque na linguagem do coração a presença Deles e as Suas bênçãos.

Pai Celestial, Tu és Amor e eu sou feito à Tua imagem. Eu sou a esfera cósmica de Amor, na qual contemplo todos os planetas, todas as estrelas, todos os seres, a criação inteira, como luzes cintilantes. Sou o Amor que ilumina o universo inteiro. Paramahansa Yogananda, “Meditações Metafísicas

 

6) A importância da prática diária

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Cada período de meditação deve durar pelo menos 30 minutos, de manhã e à noite. Quanto mais tempo você permanecer sentado, desfrutando do estado de calma meditativa, mais progredirá espiritualmente. Durante as atividades diárias mantenha a calma sentida na meditação; a serenidade o ajudará a manifestar felicidade e harmonia em todos os aspectos de sua vida.

Este passo a passo foi extraído do site oficial da Self-Realization Fellowship, instituição criada por Paramahansa Yogananda para disseminar os seus ensinamentos pelo mundo.

Yogananda Brasil:  www.yoganandabrasil.com.br

3 Livros essenciais para todos que querem aprender mais sobre meditação e yoga:

Autobiografia de um Iogue

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Em “Autobiografia de um Iogue”, Paramahansa Yogananda oferece um verdadeiro portal para a compreensão da filosofia indiana narrando sua infância, a peregrinação em busca de seu mestre espiritual, a vida de cada um dos mestres de sua linhagem (Mahavatar Babaji, Lahiri Mahasaya, Sri Yukteswar), a fundação de uma escola baseada nos princípios da ciência da Yoga, sua vinda para a América e uma peregrinação pela Europa e Oriente, onde teve contato com grandes santos e mestres espirituais da época. É também um passo inicial seguro para quem deseja conhecer a ciência da Kriya-Yoga, técnicas científicas avançadas de meditação iogue. Edição completa, editada pela Self-Realization Fellowship, organização espiritual sem fins lucrativos fundada por Paramahansa Yogananda em 1920, com sede internacional nos EUA.

Considerado um best-seller, integrante da lista dos cem maiores livros espirituais já publicados em todo o mundo, é editado há mais de 60 anos, atualmente em quase 30 línguas e é uma das maiores revelações já publicadas no Ocidente sobre as profundezas da mente e do coração hindus e a riqueza espiritual da Ciência da Yoga. Livro de cabeceira de famosos como George Harrison, Steve Jobs, Gilberto Gil, entre outros.

Onde encontrar: Autobiografia de um Iogue, de Paramahansa Yogananda

Meditações Metafísicas

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Em seu livro “Meditações Metafísicas”, Paramahansa Yogananda, um dos grandes mestres espirituais do século XX, apresenta um manancial de sabedoria com mais de 300 orações, meditações e afirmações que tanto iniciantes quanto experientes em meditação poderão usar para despertar a alegria, a paz e a liberdade interior da alma. A espiritualidade lúcida e prática do autor guiará você para superar todo sentido de limitação e viver plenamente na luz confortadora do Espírito.

Onde encontrar: Meditações Metafísicas, de Paramahansa Yogananda

A Yoga de Jesus

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A Yoga de Jesus é uma compilação da famosa obra do autor intitulada A Segunda Vinda de Cristo: a Ressurreição de Cristo Dentro de Você, fundamental para todos os que querem compreender em profundidade os ensinamentos de Jesus e sua aplicação prática para os dias de hoje na construção de uma Cultura de Paz.
Alguns dos temas apresentados: Os “anos desconhecidos” que Jesus passou na Índia •A antiga ciência da meditação: como tornar-se um Cristo • O verdadeiro significado do batismo • De que modo os princípios e métodos da yoga são equivalentes aos ensinamentos dos maiores santos e místicos cristãos.

Sobre Jesus, disse Paramahansa Yogananda: “Ele ensinou a ciência completa da yoga, o caminho transcendente da união divina por meio da meditação.”

Onde encontrar: A Yoga de Jesus, de Paramahansa Yogananda

Para conhecer a obra completa dos livros da Coleção Paramahansa Yogananda em português acesse o site www.omnisciencia.com.br

Namastê

 

Fonte: Blog da Cultura da Paz

A Sublime Manifestação do Amor Divino em Bhagavan Krishna

 

Em sua vida, o Senhor Krishna expressou o amor puro na forma mais elevada. Mostrou ao mundo que pode existir amor imaculado entre homem e mulher. É impossível descrever corretamente sua vida ímpar para o público em geral, pois ela transcendeu leis e padrões mundanos. Um dia, espero colocar no papel o verdadeiro significado da vida de Krishna, pois ela tem sido incompreendida e mal interpretada. Sua expressão de amor divino foi única no mundo.

Krishna teve muitas discípulas, mas Radha era a predileta. Cada discípula pensava: “Krishna me ama mais do que às outras”. Toda- via, como Krishna falava muito em Radha, as outras ficavam enciumadas. Percebendo isso, Krishna resolveu dar-lhes uma lição. Assim, certo dia, ele fingiu sentir uma terrível dor de cabeça. As discípulas, aflitas, demonstraram grande preocupação com o sofrimento do Mestre. Até que ele disse: “A dor só passará se uma de vocês ficar sobre minha cabeça e massageá-la com os pés”. Horrorizadas, as devotas exclamaram: “Não podemos fazer isto: tu és Deus, o Senhor do Universo. Seria o maior dos sacrilégios ousar profanar tua forma tocando com nossos pés tua cabeça sagrada.”

O Mestre fingiu que a dor aumentava; eis que Radha entra em cena. Correndo para seu Senhor, perguntou: “Que posso fazer por ti?” Krishna repetiu o pedido feito às outras devotas.
Imediatamente, Radha o atendeu: a “dor” do Mestre desapareceu e ele adormeceu. As outras discípulas, com raiva, arrastaram Radha para longe da forma adormecida.

“Vamos matá-la”, ameaçaram. “Mas por quê?”
“Como ousa pisar na cabeça do Mestre?”
“E daí?”, protestou Radha. “Isso não o livrou da dor?”
“Por ato tão sacrílego, você irá para as profundezas do inferno.” “Ah, é com isso que vocês se preocupam?”, disse Radha, sorrindo. “Com muita alegria eu viveria lá para sempre se isso o fizesse feliz por um segundo.”

Então todas se curvaram a Radha. Compreenderam por que Krishna a favorecia, pois só Radha esquecia de si mesma e pensava apenas no bem-estar do Mestre.

No entanto, por receber uma atenção especial, Radha começou a encher-se de orgulho. Assim, certo dia, o Senhor Krishna disse: “Vamos sair juntos, às escondidas”. Fazendo com que acreditasse que queria estar a sós com ela, Krishna brincou com a vaidade de Radha, que se sentiu muito feliz e favorecida. Percorreram uma boa distância, mas Krishna não parecia disposto a parar.

Finalmente Radha, exausta, sugeriu: “Aqui é um bom lugar para sentar um pouco”. Krishna olhou em volta, desinteressado, e disse: “Vamos procurar um lugar melhor”. E continuaram caminhando, caminhando… Por fim, já sem forças, Radha queixou-se: “Não aguento mais”. Krishna perguntou: “Muito bem, você quer que eu a carregue?” Isso agradou muito à vaidade de Radha. Mas, assim que ela pulou nas costas de Krishna – oh! – ele desapareceu, e ela caiu desajeitadamente.

Com o orgulho abalado, ajoelhou-se e humildemente pediu: “Amado Senhor, errei em querer possuí-lo e controlá-lo. Perdoe-me, por favor.” Krishna reapareceu e abençoou-a. Naquele dia, Radha aprendeu uma grande lição. Fora um grave erro ver o Mestre como homem comum, passível de ser seduzido e controlado por artimanhas femininas. Compreendeu que ele se interessava pela alma da discípula, e não por sua forma física.

Paramahansa Yogananda, Romance com Deus

Nosso apoio às crianças refugiadas

A Casa do Migrante da Missão da Pazem São Paulo, acolhe refugiados e pessoas com visto humanitário. Eles estão atendendo várias crianças, principalmente angolanas. Padre Paulo Parise, um dos responsáveis pela instituição, alertou que estão precisando, com urgência, de leite em pó, fraldas, roupas infantis, material escolar e de higiene, brinquedos e alimentos não-perecíveis.

Para colaborar, deposite suas doações na caixa de papelão da sala de reuniões de nosso Grupo. Convide seus amigos para participar também! Qualquer dúvida, entre em contato conosco.

Mais informações sobre a Casa do Migrante: www.missaonspaz.org/casa-do-migrante

Em amizade divina

Jai Guru! Jai Ma!

Grupo de Meditação da SRF da Vila Madalena